
"A musicalidade na cítara compensou a leitura burocrática"
A platéia elitizada que estava presente ontem à noite no Auditório Alceu Amoroso Lima foi priviliegiada pela apresentação do poeta, músico, tradutor e filósofo Alberto Marsicano e sua leitura de poemas de sua tradução.
Os poetas escolhidos foram Rimbaud, Shelley e William Blake entre outros.
Alberto relatou como tomou contato com os poemas e ia lendo-os para uma platéia atenta e silenciosa que acompanhava sua leitura com interesse. Ao fundo, o efeito do som do mar e solos de cítara iam pontuando as palavras dos poemas que espalhavam-se em vibrações pelo ar.
Contou como em uma noite fria sob a neblina londrina, depois de ter sido expulso de uma festa, recebeu um livro de Blake em suas mãos de um desconhecido que desapareceu na madrugada às margens do Tâmisa.
"HOMENS LIVRES PROSTAI-VOS DIANTE DO MAR". Baudelaire.
Falou de seus encontros com o mestre do rock brasileiro Raul Seixas.
O desempenho de Alberto Marsicano na cítara não deixa dúvidas, é puro deleite para os privilegiados que o sabem ouvir. Falta-lhe a capacidade do ator para a interpretação dos poemas. Alguns clássicos entre os malditos como o maravilhoso "Barco Embriagado" de Rimbaud.
A participação de um ator ou uma atriz para a leitura dos poemas , os valorizariam mais tornando a apresentação mais fluente. Lendo Alberto se confunde e mistura atividade diferentes que requerem dedicação própria para obtenção dos resultados esperados.
De qualquer forma, foi feita a largada com o máximo de solenidade poética para o que ainda pode se aperfeiçoar: uma nova forma de apresentação de poesia e som.
Sábado que vem , no mesmo auditório da Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima , em Pinheiros, apresentam-se "Loop B e Cid Campos".
Vale a pena conferir.


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